crônicas em preto
BAGUNÇA DE PALAVRAS
domingo, 4 de agosto de 2013
Opinião Climática
Vou lhe contar que era um calor desenfreado naquele dia. Ouvia-se por todo o Rio de Janeiro as pessoas estrebuchando, suadas, reclamando "como queria um bom de um frio". Veio-se o frio, por todo o Brasil, salvo o Norte e Nordeste, onde é verão o ano inteiro. Em São Paulo não se fazia tamanho frio há uma década; Via-se nos jornais televisivos pessoas agasalhadas até a alma brincando na neve no Sul do país. E aí me vira um sujeito - que há dois meses atrás comentou, com voz ranzinza "como eu queria um bom de um frio" - e diz: "como eu queria que estivesse calor". Pois morra congelado.
Portinhola
Existe uma portinha do lado de fora da casa da minha avó, no alto, e que desde sempre me fez imaginar o que lá dentro poderia existir. Talvez alguma espécie de Nárnia encantada, um mundo mágico, um universo paralelo, um buraco de minhoca, uma porta de uma espaçonave...
Certo dia, anos depois, resolvi tomar a coragem de perguntar ao meu avô o que havia atrás daquela portinha. Com toda a simplicidade do mundo ele respondeu "a caixa d'água". Esse dia foi o mais frustante da minha vida.
Certo dia, anos depois, resolvi tomar a coragem de perguntar ao meu avô o que havia atrás daquela portinha. Com toda a simplicidade do mundo ele respondeu "a caixa d'água". Esse dia foi o mais frustante da minha vida.
Pré-feição
Todas as vezes que ouço a palavra "perfeito" não consigo levar como o melhor do elogios. Não sei qual é a etimologia, mas meus ouvidos separam essa palavra. "Pré-feito". É isso que eu ouço. "Pré-feito", pré-fabricado, feito em fábrica, em massa. Imediatamente penso em... Padronização. Pense com seus botões: algo perfeito é pré-feito para ti ou pré-feito para a sociedade? Se a resposta for ambos, sinto-lhe dizer que tem algo errado nisso. E as coisas diferentes, as coisas "excêntricas", improvisadas e não pré-feitas? Podem me chamar de louca, mas uma coisa que eu não pretendo ser é perfeita. Refletindo um pouco, percebe-se o quão difícil e desnecessário agradar toda uma sociedade, apenas para o senso comum te considerar perfeita. Os padrões dos leigos são sempre os mais exigentes e estúpidos, talvez pelo fato dos mais politizados saberem perceber o quão fútil é querer ser perfeito. Honestamente, me responda: o que é perfeito?
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